Futuros Alimentares

Aram, tendências [anti]consumo e a busca por uma sociedade pautada em experiências.

Fonte: aram.ma

Utilizando o conceito da produção de uma cafeteira sustentável, os criadores da Aram fazem uso de conceitos de anti-consumo que farão você enxergar o nosso planeta sob uma ótica diferenciada.

Quando você não quer ficar com insônia, qual o primeiro alimento que vem à mente? Quando você pensa em ficar acordado a noite toda, qual é a substância que você consome para que isso possa? Você é daquelas pessoa que não recusa um bom espresso?

Então prepara.
Esse post é para você!


Portátil, sem uso de energia elétrica ou cápsulas, a Cafeteira Aram vai fazer o melhor café espresso que você já tomou em qualquer lugar. Inclusive na sua sala de estar.

É com esse discurso que Maycon Passos de Melo e Juca Esmanhoto prometem modificar a maneira com que as pessoas vêem o café, uma das bebidas prediletas do brasileiro.

Maycon e Juca saboreando um café produzido pela Cafeteira Aram (Fonte: Projeto Draft)

Uma ideia surge.

Tudo começou com o Maycon. Maycon, além de curitibano, é um daqueles designers de produto que acreditam que a obsolescência programada — o famoso “dura menos que antigamente” — não tem mais nesse nesse nosso mundinho cada vez mais volátil, incerto, complexo e ambíguo. Ao fazer uma pesquisa para um conjunto de utensílios (que acabou não dando certo), se apaixonou pela arte do preparo de um bom café e começou a pensar como uma cafeteira poderia ser mais sustentável e, por que não, humanizada. Após quatro meses de muita pesquisa, começava a tomar forma uma cafeteira que, além de ser produzida por artesãos, não utiliza energia elétrica, cápsulas e coador de papel.

Nasce a Cafeteira Aram.

Aram, do tupi-guarani luz do sol. O nome surgiu a partir da primeira empreitada empreendedora, lá em 2011, quando Maycon resolveu montar uma linha de óculos artesanais de madeira.

Mas… como viabilizar financeiramente essa nova empreitada?
Ora, se a ideia faz parte de um projeto de mudança de consciência da sociedade, nada melhor que ela mesma auxiliar na estruturação inicial do projeto. Sendo assim, Maycon se juntou com um dos sonos da Rause Café+Vinho, o barista Juca, e lançou a própria campanha de financiamento coletivo no Catar.se. Para adquirir a versão mais básica da Aram (portátil), era necessário desembolsar setecentos e vinte e oito reais. Entretanto, as contribuições poderiam ir de dez à quatro mil reais. A surpresa veio quando, em menos de 24 horas, alcançaram a meta inicial de R$ 35 mil.
Após 45 dias — o tempo em que a campanha ficou no ar — , o projeto arrecadou incríveis R$ 253.300,00, ou 723% da meta inicial.
Na figura abaixo você pode verificar quais foram as recompensas oferecidas pela campanha do catar.se

Recompensas oferecidas pelos criadores da Cafeteira Aram na site de compras coletivas Catar.se (fonte: catarse.com/cafeteiraaram)

Mercado, produto e experiência do consumidor
Se você pensar nos três grandes momentos de uma abordagem de Design Thinking — Imersão, Ideação e Prototipação — perceberá que a Aram foi pensada para ser um produto utilizado para aqueles que levam um estilo de vida pautado no lowsumerism.

Os três grandes momentos da abordagem do Design Thinking. (Fonte: agile.pub)
  • Imersão — encontrando a origem do problema
    O Maycon é designer de produto. Quem se atreve a se aprofundar um pouco mais na temático descobre que o design possui um papel em nosso cotidiano e que ele possui uma profunda conexão com negócios inovadores. Percebe que, mais que uma profissão, o design possibilita novas maneiras de analisar problemas e, consequentemente, de propor soluções.
    A origem do problema está no estilo de vida que levamos, onde a obsolescência programada e um estado permanente de ansiedade pautam a nossa existência.
  • Ideação — tempestade de ideias
    Eterno apaixonado pela segunda bebida mais consumida no Brasil, Maycon encontrou em Juca o parceiro de negócios ideal. Juca é sócio e barista do Rause Café + Vinho, uma das melhores cafeterias do país. Foi questão de (pouco) tempo até juntar os talentos do design e do barista na criação de uma cafeteira que fizesse seu usuário repensar sua maneira de levar a vida.
  • Prototipação — é hora de bater o martelo
    Para fazer com que a ideia saísse do papel, Juca conseguiu cerca de R$ 6 mil emprestados com um parente para a fabricação do primeiro protótipo. Maycon, por sua vez, teve a ideia de realizar a campanha de financiamento coletivo no catar.se para que o maior número de pessoas já pudesse se beneficiar de seu produto.
    A Aram foi pensada de modo a oferecer uma experiência única no preparo da bebida. O vídeo abaixo demonstra como isso se torna possível:

 

O anticonsumo e a ironia cafeeira

O chamado low [con]sumerism (baixo consumismo) propõe o questionamento de hábitos ainda majoritários na relação humana com o ato de comprar.
O tema é vasto, complexo e propõe um despertar da consciência humana e um novo modo de se viver a vida. Desconstrução de conceitos como obsolescência programada e nosso estado permanente de ansiedade não devem deixar de ser discutidos.
A Box1824 [uma empresa de inteligência e soluções estratégicas pautada em leitura de cenários futuros e antecipação de movimentos comportamentais] está elaborando, através de seus colaboradores, um material muito bacana sobre o tema. Além disso, produziu um vídeo muito bacana sobre o baixo consumismo, onde mostra um panorama histórico do consumismo através das décadas e projetando uma possibilidade de futuro desejável — o lowsumerism. Vale a pena dar uma olhada!

Resumindo BASTANTE a ideia central do vídeo, podemos dizer que, se o mundo continuar o ritmo frenético de consumo dos últimos anos, é melhor começarmos a (re)pensar se teremos um mundo para os nossos descendentes. Para mudar esse panorama, é necessário assumir uma postura de lowsumer, através de uma mudança da nossa consciência. Isso pode ser realizado através de três atitudes simples, mas essenciais para provocar um grande impacto na sociedade:

  1. Sempre pensar antes de comprar;
  2. Buscar alternativas de menor impacto para os recursos naturais, tais como trocas, consertos e fazeção (Do It Yourself);
  3. Viver somente com aquilo que é realmente necessário.

Para mim, a frase que resume o estilo lowsumerism é:

Chega a ser irônico pensar que uma cafeteira seja o produto que está despontando como materialização do estilo de vida lowsumer. É irônico, mas também é incrível.
Isso por que o café é o símbolo máximo da luta contra o sono durante as noites em claro de adolescentes em véspera de provas à workaholics durante a execução de seus projetos. Café contém cafeína, uma substância que comprovadamente diminui seu sono e é uma arma a favor da produtividade (lembra do “estado permanente de ansiedade” já citado anteriormente?).


E agora?

Protótipo realizado, sucesso total na campanha de financiamento coletivo… mas e agora? Como tornar replicável, nacional e mundialmente, um produto considerado artesanal?
A resposta é mais simples e mais incrível do que se imagina: lançando mão mais uma vez do lowsumerism, a Aram está utilizando o impacto social como ferramente de aumentar a escala do negócio. Trabalhando com pequenos produtores locais de Curitiba, cerca de 500 cafeteiras são produzidas por mês.

Entre os próximos passos do negócio, o próprio Maycon destaca:

  • Criação de uma loja-conceito onde o “Método Aram” será testado e aplicado;
  • Venda dos produtos em casas especializadas em café;
  • Criação de um clube de assinaturas;
  • Manutenção do investimento recebido da Lake Tahoe Ventures (ainda na época da campanha de financiamento coletivo).
Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s